Geração da Perfeição

pageant+girl

A minha geração tem uma obsessão pela perfeição.

Obsessão essa que nos afeta em todas as partes de nossas vidas.

Temos que ser perfeitamente arrumados, educados, sociáveis, tirar notas perfeitas e ter um currículo perfeito. Nossos quartos devem estar perfeitamente arrumados, nossas roupas perfeitamente passadas e nossas vidas perfeitamente em ordem. Não nos sentimos mais confortáveis com o natural. Homens e mulheres passam horas alisando o cabelo, aparando pêlos e fazendo exercícios. Passamos anos usando aparelho nos dentes ou tomando remédios que diminuem as espinhas e atacam nossa saúde. Vivemos no mundo da estética perfeita e passamos a vida lutando contra a realidade da imperfeição.

Podemos culpar a tecnologia. Culpar o photoshop e a Barbie. Podemos culpar a internet por jogar na nossa cara imagens de pessoas muito mais perfeitas. Podemos culpar as redes sociais por nos mostrar todas as vitórias de nossos amigos, inimigos e conhecidos. Podemos culpar as revistas e mídia em geral que nos apresenta uma meta inalcançável de perfeição. Ou podemos culpar a nós mesmos por nos sujeitarmos a isso.

Ultimamente eu tenho visto, porém, um contrafluxo interessante.

Pessoas exigindo e reconhecendo publicações que não usam mais photoshop. Pessoas que se indignam com o fato dessa ou daquela atriz ter aparecido em uma publicação parecendo outra pessoa. Pessoas que querem ver as imperfeições.

Isso virou manchete quando a Jennifer Lawrence posou para a Dior, quando a Madonna apareceu nua na capa da Interview e quando o Justin Bieber apareceu um tanto diferente na campanha da Calvin Klein e me fez parar para pensar.

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Nós queremos ver as imperfeições não para criticar, mas para nos identificar. Queremos ver a celulite, as rugas e os pneuzinhos para podermos nos sentir bem com nós mesmos.

Minha geração foi criada à luz da perfeição e hoje ela quer entender que a perfeição não existe. Queremos poder mostrar nossos defeitos, nos orgulhar de nossas imperfeições. Queremos poder ser humanos e não bonecos.

Ninguém acorda com o cabelo feito, com a cara arrumada ou fica bem em qualquer tipo de roupa. Ninguém está 100% feliz com o que vê no espelho. Todos somos bonitos do nosso jeito e felizmente não somos todos iguais. Somos todos únicos e especiais e temos de aprender a nos gostar mais.

Eu realmente espero que esse movimento contra o photoshop evolua para algo mais profundo. Que num futuro próximo todos sejam feliz com o que e com quem são.

Mariana Lemos F. de Sá

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